segunda-feira, 21 de junho de 2010

MARADONA CONTRA O RESTO DO MUNDO



Estava em casa, em frente à tv. Lá, nos recônditos selvagens da Africa, começou a Copa do Mundo. E cada uma é diferente da anterior, não apenas porque o cenário é outro, mas em virtude dos avanços tecnológicos e mudanças provocadas por questões sociais.
Novas câmeras fazem os jogos parecerem videogames, cada gol pode ser observado de vários ângulos e em breve teremos a visão da bola, com uma micro câmera instalada na esfera. E falando em realismo, quem já tem tv LCD em 3D de 42’ vai pensar que está dentro do campo. É o máximo. O proximo passo deve ser a holografia.
Os juizes usam head sets e as bandeirinhas possuem sensores que avisam ao árbitro de alguma irregularidade observada pelo auxiliar. Os estádios construídos e reformados são maravilhosos, ultra modernos. Tem um que possui grama sintética, aprovada pela primeira vez para uma copa do mundo.
Em contrapartida, o futebol, que deveria ser o motivo principal do espetáculo, vai mal das pernas. Além de empates e vitórias magras, o que se viu nessa primeira semana de copa foi a constatação de que houve uma guerra e a Europa venceu. É lógico, no fim das contas, pois os principais jogadores dos paises participantes jogam em clubes no velho mundo, e ao que tudo indica, ao invés de influenciarem uma mudança no modo de jogar, foram influenciados. O resultado é que os países africanos, os asiáticos e a America do Sul mostraram um futebol previsível, burocrático, asséptico e que desperta apenas o sono. Os primeiros jogos foram excelentes para quem sofre de insônia.
Essa globalização da bola foi traduzida em vitoria do Japão contra Camaroes, Coréia do Sul vencendo a Grecia, que derrotou depois a Nigeria. Vimos também a Suiça, país em que o principal esporte é o campeonato de fabricantes de chocolates, vencendo a Espanha, apontada como a grande favorita. Na verdade, apesar de alguns comentários contrários, não acredito que houve zebra alguma até agora, porque nessa homogeinização a mediocridade é geral. Para os africanos, acabou a alegria, o futebol arte, restou a vuvuzela, um artefato mistico tribal, uma espécie de trombeta do apocalipse capaz de deixar surdo quem toca e quem ouve ao mesmo tempo.
Até a velha rivalidade entre os países arrefeceu, afinal, os jogadores de Alemanha, Chile, Camaroes e EUA são amigos, jogam juntos em clubes. E mais, a seleção da Alemanha tem 8 ‘estrangeiros’. Essa onda de naturalização oportunista destrói o velho apelo da competição, que era uma disputa entre nações, uma ‘guerra’ esportiva. Hitler, lá embaixo, deve estar ardendo de raiva e ódio ao ver um jogador negro, Cacau, fazer gols e virar estrela naquele país que seria o símbolo da supremacia loira, alta e de olhos azuis.
Mas nem tudo está perdido, ainda. Maradona, gostem ou não, é a figura da Copa, e sua seleção, um exemplo de que o futebol deve ser diferente, manter características essenciais e ter pelo menos um craque para servir de referencia. Los hermanos em 2010 continuam cabeludos, arrogantes, velozes e com fome de gols.
Antes, ao vermos uma seleção brasileira, exigíamos que ela fosse parecida com a perfeita de 1970 ou a artística de 1982, agora, ao observarmos o técnico Dunga chamando o Escobar (reporter da Globo) de careca pra baixo, o capitão Lucio e a armação tática, ficaríamos satisfeitos se o elenco tivesse um pouco da determinação ofensiva da Argentina. Alguns dirão que o importante é ganhar, mas sou daqueles que acham que não basta ser campeão, tem que parecer campeão.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A SOMBRA E O ESPELHO



Sempre achei que as pessoas valorizavam demais minhas crônicas, mas nunca reclamei disso, afinal de contas, essa admiração passou a se transformar em dinheiro, fama, etc. Tudo bem, isso não traz felicidade, mas serve para comprar um monte de coisa.
Bem, o fato é que a minha exposição em um número cada vez maior de impressos e na internet propiciou uma vida que inclui visitas a diversos países, conhecer pessoas incríveis, boas mulheres e mulheres boas.
Outro dia, estava autografando meu trabalho mais recente, um livro de crônicas sobre as impossibilidades do poder. Uma análise pretensamente divertida sobre ditadores latino americanos e torneiros mecânicos. Sucesso de crítica e público, fico até com vergonha, às vezes. Mas, lá estava eu, tirando fotos com pessoas sorridentes, algumas nunca tinham lido nada meu, estava nos olhos. Tapinhas nas costas, uma senhora apertou minhas bochechas, um garoto puxou a mãe dizendo que aquela fila era muito grande e chata e boba, uma garota veio com livro de poesia para eu dar meu aval.... tudo previsível. Aí, tive a brilhante idéia de fazer uma pesquisa no boca a boca, para descobrir qual a crônica de que mais gostavam. Naturalmente, pelas vendas, seriam diversas, de épocas diferentes. Entretanto, algo estranho aconteceu. Fiz a pergunta a mais de cinquenta pessoas que me pediam para autografar o livro. Para minha surpresa, cerca de 90% disseram que adoravam a mesma crônica: "A revelação".
Vocês podem imaginar como um autor fica satisfeito ao perceber que fez uma obra-prima. E olha que os adjetivos eram de ‘sensacional’ para cima. Uma senhora chegou a dizer que preferia inclusive ler a versão em francês. Não havia dúvida, ‘A Revelação’ era um sucesso absoluto. E o melhor é que até adolescentes que estavam na livraria também citaram a crônica como a melhor coisa que leram. Dupla felicidade, adolescentes que leêm... e gostam de mim. Mas, pera aí, pensei. Não sei quantos elogios depois, me toquei de que eu nunca escrevi uma crônica chamada ‘A Revelação’, e nunca estive na França.
Podemos explicar Hugo Chavez e até como a China consegue crescer enquanto o resto do mundo mergulha numa crise econômica sem precedentes, mas algo desse tipo, não. Entrei no google e descobri que ‘minha’ crônica era um sucesso mundial, citada em inúmeros sites e serviu de base para teses e debates acadêmicos. A cada toque no teclado a coisa ficava mais estranha. ‘A Revelação’ era uma das crônicas de uma coletânea chamada SINAIS. E nos sites havia minha foto.
Eu já havia escrito sobre esses seres que preferem viver à sombra de outros a ousar e expor seus trabalhos. Bem, agora eu também era vítima dessa popularidade involuntária, e o pior é que o texto tinha mesmo algo de mim. Eu poderia ter escrito algo assim, mas... não escrevi.
Entrei em contato com minha assessoria e descobri que o tal livro estava esgotado. O departamento jurídico de minha editora começou a se movimentar, afinal, eu era exclusivo, e a coletânea saiu por uma tal de Infinitus. Aquilo se tornaria um caso de polícia, com certeza. Passara da homenagem à falsidade ideológica. O irônico era saber, através de uma pesquisa encomendada, que grande parte do meu sucesso vinha dessa farsa. As pessoas liam SINAIS e corriam atrás de outros trabalhos. Um crítico disse que sem essa coletânea, por causa especificamente de ‘A Revelação’, minha carreira talvez nem tivesse existido.
Aquela história começou a me incomodar e tirar noites de sono. Tornara-se uma questão de honra descobrir o surrupiador, o esperto, o cara que sabe copiar. No entanto, de uma maneira canhestra eu devia a esse homem (podia ser uma mulher) minha fama. Era incômodo pensar por que essa figura se mantinha oculta. Ele ganhara muito dinheiro às minhas custas com aquele livro. Por que não se lançou no mercado editorial? Claro que ele sabia do sucesso. Ou não? E... se fosse um psicopata?
Bem, o que começou com um aparente engano ganhou proporções quase cinematográficas. A cada descoberta o mistério aumentava. Não havia registro da tal editora. As lojas que comercializaram o livro simplesmente não tinham registro da obra em lugar algum, mas funcionários lembravam perfeitamente de ter visto o livro nas prateleiras. A gerente de uma megastore na zona sul verificou, inclusive, da tarde de autógrafo que aconteceu há cerca de cinco anos. Isso era um absurdo total. O impostor esteve lá, se passou por mim. Ela entrou nos arquivos de eventos. Havia algumas fotos, mas tiradas no meio de um tumulto. Nossa, eu, quer dizer, ele, chamou muito a atenção. Dava pra me ver, vê-lo, de relance apenas. A gerente riu e perguntou se eu não lembrava daquele dia. Eu disse que era impossível esquecer (se tivesse acontecido, claro).
Bem, depois que um neoliberal sumiu com o metalurgico Lula e assumiu suas feições, tornando-se presidente da república, pensei, tô ferrado! Claro, era só uma questão de tempo até que o homem viesse atrás de mim. Ele parecia comigo, escrevia no meu estilo, e... era melhor do que eu. Pensei também que talvez eu devesse encontrá-lo antes e acabar com ele, afinal, tudo que eu era se devia a um engano monstruoso. Ele, e não eu, escreveu as melhores crônicas.
Passei a ficar preocupado, muito preocupado. Era uma questão de honra descobrir o farsante. Mas, no mesmo momento, pensei que se o caso fosse revelado, metade, ou mais, da minha fama iria para o brejo, onde quer que ficasse o brejo. Eu poderia falar com meus amigos, com o Vasconcelos, por exemplo, mas, não, eu poderia perder meus amigos também, pois a maior parte dos atuais, só veio depois da publicação da ‘Revelação’.
De repente, percebi que estava em um beco sem saída, e nesses casos você não tem escolha, tem que agir. Se o fulano resolvesse confessar que havia escrito a cronica tudo estaria terminado, para mim. Seria execrado pela mídia, apareceria em programas sensacionalistas e estaria a um passo do precipício chamado ostracismo. Dizem que quem cai nele jamais volta. Eu não deixaria isso acontecer.
As semanas passaram lentas, até que um belo dia ouvi um anúncio na tv dizendo que eu, ele, estaria no programa Você é o Show. Eu não acreditei. Ele perdera a noção completamente. Como poderia aparecer assim, em público? De qualquer forma, era a chance, isso era o que importava.
Disfarçado, usando um bigode postiço, cabelos pintados e um chapéu panamá, consegui entrar no auditório do programa. Estava lotado. O apresentador chegou rindo, como sempre, rodos eles riem. Fui obrigado a assistir uma infernidade de pseudo atrações. Uma brincadeira com macacos e mulheres vestidas de banana; um anão que nunca se afoga. Se bem que essa foi por pouco. A vida de um artista famoso de quem ninguem se lembrava e uma dança nova, que vai ser o sucesso do proximo carnaval. Era a mesma que eu vi há 15 anos atrás, na Bahia. E, finalmente, chegara a hora.
Meus amigos, temos o prazer de receber em nosso programa o sensacional escritor, e autor de uma das croncias mais aclamadas de todos os tempos, Érico Justissimo. Ele vai nos falar de seu novo livro, Te encontrei, cheio de mistério e humor. Palmas, auditório!
É um prazer estar aqui.
Durante os 40 minutos de entrevista minha vontade foi a de levantar e acusar o impostor. Mas, não. Era isso que ele queria, por isso se expôs. Não tinha medo de mim, pelo contrario. Dali em diante iria se expor para me provocar ao máximo. Imediatamente, veio à cabeça minha cobertura na Barra da Tijuca e o apartamento do Jardim Botanico. NÃO! Gritei interiomente. Tudo acabaria hoje.
Esperei o apresentador se despedir e saí. Eu conhecia bem aquelas instalações, já estivera em programas ali. Tirei o meu disfarce para facilitar o acesso. O impostor usava uma roupa muito parecida com a minha. Camisa azul celeste e calça cinza com meia amarela. Ele copiou tudo. Só as meias eram mais amarelas.
Desci as escadas e esbarrei com o apresentador, Fofão. Ele disse que adorou minhas respostas. Se ele soubesse. Só depois de 10 minutos consegui me desvencilhar. Corri feito um louco e ao chegar ao camarim... estava vazio. A camareira me olhou e perguntou se havia esquecido algo. Eu saí correndo em direção ao estacionamento, no terraço. Lá estava ele, sozinho, entrando no carro. Meu Deus, até o carro era uma cópia do meu.


- Fique aí, mesmo!!! – gritei, com toda a força de meus pulmões! – aos poucos, ele foi virando.
- Nossa, estava demorando. Por alguns segundos achei que não viria. – deu um sorrisinho enigmático.
- Hã? o que quer dizer, impostor? – eu não estava armado, mas ele não sairia dali com vida.
- Quero dizer que você se saiu bem. Consegiu.
- Você é louco! Ganha a vida com meu trabalho, meu nome.
- Hahahahahahahahahaha
- Pare de rir. Caso você não tenha percebido, esse mundo é, sem dúvida alguma, muito pequeno para nós dois. – Caramba, ele era uma cópia perfeita, não apenas parecido comigo.
- Tá, desculpa, desculpa. Não vou mais rir. – ele encostou no carro e abriu sua pasta cheia de papéis. Eram crônicas, reconheci o estilo da escrita manual, que também era idêntica a minha.
- O ... o que é isso?
- Calma, deixa eu ver. Hum... – ele pegou uma das folhas, olhou de cima a baixo. – não sei...
- NÃO SABE O QUÊ?
- Bem... pode ser assim. – pegou uma caneta e começou a rabiscar algo. Escreveu umas tres folhas – abriu um sorriso que quase me enganou. Então, meteu a mão na porta do carro e a abriu. – bem, vamos terminar isso.
- O quê??? – ele tinha uma arma, era isso! Eu tinha que agir depressa. Pulei em cima dele, que tentou se defender. Era como bater em mim mesmo. Ele foi cambaleando e tropeçou em um cano de ferro.
- NÃO!!! – gritei, pois sabia o que ia acontecer em seguida, não tinha como ele segurar em nada. E caiu.
Eu peguei a pasta e os escritos que estavam no banco traseiro do carro e fuji correndo. Estava acabado. Ninguém iria suspeitar de nada.
Já em casa, tomei um banho. Pensei em tudo que havia acontecido, no que a vida havia se tornado em tão pouco tempo. E o público não sabia de nada. Como seria a partir de agora? Liguei a tv e... nada. Bem, eles não iriam noticiar o caso tão depressa. Eu tinha é que pensar em uma estratégia, afinal, encontrariam uma espécie de sósia. Há há há seria até engraçado escrever sobre isso. Olhei a noite lá fora, toda estrelada, quente. Pensei ‘a vida é boa!’. Liguei o som e deixei uma música antiga da Cindy Lauper invadir o ambiente. E assim, pensei que eu acabaria dormindo, deixando os problemas para o dia seguinte. Foi aí que passei o olho na sala, e na mesa estavam minha pasta e também os papéis do falso escritor. Talentoso, sem dúvida. Fiquei curioso, será que entre os papéis existiria outro ‘A Revelação’? levantei e comecei a mexer. Havia contos e cronicas antigas, trabalhos meus. Coisas que eu não havia publicado. E ... um papel meio amassado. Sim, era isso que ele estava escrevendo pouco antes de cair.
‘ ... eu não sabia como terminar a história. A presença dele era incomoda demais. Só que nesse exato momento, ele me olha, ameaçador. Vai me atacar, vai pensar que vou pegar uma arma ou algo assim. Vamos lutar e eu vou cair. A criatura mata o criador, no fim das contas. Ele vai achar estranho, entretanto, o fato de ninguem comentar o incidente. Não haverá corpo para ser achado....
Lendo aqueilo, comecei a suar, mas continuei.
‘Ele vai suar muito e perceber que existe algo além do que esperava. O som de um trovão o assustará e..."’ Há, não teve nenhum.. VRUUUUUUUUUUUUUUUUUM Ai meu Deus, que é isso? Vou fechar essa janela. Deixa ver onde eu parei... aqui ‘irá até a janela para trancá-la e lá vai perceber um vulto atravessando a rua’. Não é possível, como isso está acontecendo? Quem é aquele maluco atravessando a rua nessa chuva? Não, nada disso está acontecendo de verdade. É um sonho. Sim, é isso, um sonho. Eu vou acordar, eu vou acordar, agora!!! Caramba, ainda estou aqui. E aquele cara lá embaixo, com aquela roupa. É o impostor de novo, ele não morreu. Mas, como? É impossível, eu sei que é impossível! Essas coisas não acontecem na vida real. Eu tenho que sair daqui, ele vai se vingar. Droga, por que não consigo parar de ler essa porcaria? ‘... ele não vai obter resposta, a não ser o som de sua própria voz ecoando. Tentará sair pela porta...’ sim, é claro, eu tenho que sair. A chave. Aqui. Pronto, agora é só virar a maçaneta.. ei, que barulho é esse? Deve estar escrito no texto. ‘Um raio riscou o céu naquele instante, depois veio o trovão, depois os passos encharcados, que agora estavam quase à porta. Ele vai se desesperar e correrá até a cozinha para pegar...’ UMA FACA! Eu tenho que me defender desse louco. Como ele consegue fazer isso? Muito bem, agora é só abrir a prota e...Mas...mas... não tem ninguém aqui. Estou ficando louco, deve ser isso. Meu Deus, por quê? Bem, acabou. Eu estou aqui, esse impostor nunca vai pegar meu lugar. Deve ser o estresse, claro que é. Vamos ver como ele termina esse texto insano. "Sentado no sofá, ele pegou não havia ninguem lá embaixo, eu estava me deixando levar por esse monte de besteira que ele escreveu. Vamos ver como esse palhaço termina a história. ‘... pegou as páginas soltas e as leu. Só então percebeu que nunca passou de um personagem criado por mim. Seu mundo começou a desaparecer lentamente ao redor. As paredes, a tv, os móveis. Ele voltará ao limbo, de onde sairá sempre que alguem ler essa cronica".

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

DEUS É O DESTINO


Estava reparando o nosso cotidiano, as ‘estranhas coincidencias’ que existem na vida de cada um de nós... Isso pode ser um ponto de partida para um debate contra o livre-arbítrio. Pensemos: você realmente planejou ficar com a pessoa que está do seu lado? Lembra de como achou esquisito o fato de estar naquele local, naquele exato momento, e que se assim não fosse, vocês nem teriam se olhado? Sim, e da mesma forma você pode ter percebido ‘de repente’ um sentimento por alguem que sempre esteve perto de você e jamais te chamou a atenção... até aquele momento. Isso sem falar em por que você não embarcou naquele avião que caiu, ou aceitou o convite para uma festa onde conheceu pessoas que mudaram seu destino profissional.
Se existisse o livre-arbítrio, só faria sentido se todos tivessem as mesmas chances. Se todos nascessem com as mesmas oportunidades. E quem conhece o continente africano, por exemplo, sabe que não é bem assim.
O que explica o sucesso de uns e o fracasso de outros? A determinação? Hummm... bem, você conhece pessoas determinadas que não vão a lugar algum, certo? Barrichello é determinado! E outras que não estão nem aí para o mundo ao redor e são extremamente bem-sucedidas, certo? Pois é.
Depois de ler bastante e de observar mais ainda, estou cada vez mais convicto de que existe apenas o que podemos chamar de destino. Entendo Deus como O CRIADOR. Ele é o autor desse filme que chamamos vida. E nós somos personagens.... apenas isso. E já é muito. Fomos escolhidos para estar aqui por Ele, só isso já vale.
Ah, vão dizer, então Deus é um injusto, pois faz personagens tristes, com doenças incuráveis, que nascem e morrem em condições miseráveis. E de outro lado, escreve roteiros de felicidade e sucesso para uns poucos. Que justiça há nisso? Ora, essa indagação não se sustenta, pois seria o mesmo que o personagem de Leonardo Di Caprio no filme Titanic questionasse sua morte. O problema com essa suposta justiça é que ela é baseada em conceitos humanos. Deus, não é humano.
Assim, do meu ponto de vista, tudo é perfeitamente explicável e terrivelmente simples. Tudo, todas as nossas emoções e questionamentos, estão no script. Em que familia vamos nascer, de quem vamos gostar, do que vamos gostar. Nosso time do coração, nossa aversão por futebol, nossas certezas e dúvidas. Você olha uma pessoa e diz: ‘não sei por que, mas não fui com a cara desse sujeito’... o Autor tem muito senso de humor.
Vão retrucar: ah, tá, então vou ficar sentado aqui, já que não passo de um personagem! Sim, vai sim, se estiver escrito para você. E se você rir de tudo e seguir seu rumo, ganhar na mega-sena acumulada etc... também isso está escrito.
Provas? Sua vida. Olhe para trás nesse exato instante e reveja grandes momentos, alegres e tristes, lembre-se de como aconteceram. Lembre-se das suas escolhas. Não, não foi mero acaso. Seja você um rico e bem sucedido empresário ou um alguem que perdeu tudo e está sozinho na frente do computador.
Aí, voce pode se questionar, por que não foi escolhido para ser um jogador multimilionário... por que voce, que gosta de escrever, não está na ABL como o Paulo Coelho, que, a rigor, nem escreve bem? A resposta é: por que o Criador fez outro personagem para voce. E tem mais, seja um sucesso ou um fracasso, goste ou não do que tem, você é protagonista.
Deus fez um livro bem especial, onde só tem protagonistas. Uma idéia absolutamente genial, que só podia vir Dele. Aliás, uma idéia tão genial me faz pensar que Ele pode ser uma criança... hummm essa pista tem até na Bíblia, que é um livro interessante.
Mas... se é mesmo assim, você está intrigado, nós não saberíamos disso e não estariamos aqui discutindo a possibilidade. Por que, não? Ele também é irônico.
O Criador fez inumeras religiôes, mas cuidou de deixar claro que o caminho é um só... outra pegadinha. Assim, seja espírita ou adepto de outras linhas que explicam a vida à luz das reencarnações, ou seja um fiel seguidor de outra, que imagina um mundo divino após esse, ou ainda, um muçulmano que tem a certeza de que vai morrer e encontrar 72 virgens esperando por ele, bem... você foi criado para pensar assim. Busca uma verdade, ou duas, ou três, no fundo só para passar o tempo que dura SUA história.

Às vezes, os personagens também enchem linguiça, para depois cair num climax sensacional. Claro, o autor tem que amarrar a trama, e com 7 bilhoes de astros é difícil. Quer dizer, difícil, não, trabalhoso. Por isso, às vezes você tem a percepção de que o tempo passa rápido, e ás vezes, de que tudo está parado demais. Talento... o Criador é Puro Talento. Pois o tempo é sempre o mesmo, a percepção do personagem é que muda.
E o que tem depois que a história acaba?


Rsrsrs quem disse que acaba?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

EI, LEMBRA DE MIM?




Caminhava pela Visconde de Pirajá, na bela e ensolarada Ipanema. Depois de um dia de serviço na agência o que eu mais queria era sossego.
Andando em minha direção vinha uma deusa, cerca 1,80m, olhos azuis, e loira, mas loira mesmo, daquelas que, quando o sol ilumina o rosto você tem certeza de que Afrodite deixou descendentes para mostrar aos pobres mortais o real sentido da beleza. E olha que em Ipanema o que não falta é ninfa, fada e sereia. Mas, aquilo tudo que vinha em minha direção estava além das classificações.
Ela provavelmente não me daria bola, mas olhei assim mesmo, que mal poderia haver? Para minha surpresa, ela não só olhou de volta como abriu o sorriso mais delicioso e convidativo do mundo. Sabe essas horas em que você quer muito que algo aconteça, e quando acontece você não sabe como se portar? Pois é!

- Oooooooi!- disse ela, com uma euforia ímpar.
- Oi - disse eu, gaguejando.
- Não acredito que te encontrei, queria tanto te ver novo! - era a primeira vez que uma escultura me abraçava.
- Ah, puxa, é mesmo, quanto tempo, hein?- eu não podia dizer que não a conhecia, seria um dos daqueles erros imbecis que te acompanham a vida inteira.
E a galera?
- A galera... Ahh, a galera há há há... a galera? Sabia que você ia perguntar. Tá legal! aquela galera tá sempre legal - não ia me entregar fácil. Se eu fazia parte da galera, bem, então eu fazia. - Eu amava a galera.
- Eu tenho saudades da nossa "txurminha", do Fred, da Val, e da Beth, então...
- Puxa, que coincidência, a Beth perguntou por você – era um gancho para manter a conversa. Ora, é claro que a Beth poderia ter perguntado por ela. Quem sabe a Beth não era a melhor amiga?
- Perguntou?
- Há há há, claro. Mandou um beijão.
- Ué, mas ela não morreu?
- Hã?! Ah, é, é... mas foi antes - tem que ter jogo de cintura nessas horas.
- Eu moro aqui agora, nesse prédio, vamos até o meu apartamento? A gente toma um drink. Puxa, estou tão feliz em te ver, tão feliz – se ela estava feliz, o que eu podia dizer???
Claro! Quer dizer, por mim tudo bem.

Eu não sabia seu nome, no entanto, já fazia parte da galera, e era amigo, ou, quem sabe, algo mais caliente, daquele monumento. Morava no 21º andar. Um apartamento grande, bem decorado, com samambaias dispersas pela sala. Eu odeio planta em apartamento, acho que não tem nada a ver...


- Gosta das minha plantinhas?
- Demais essas samambaias! – repensei meus conceitos e segurei o espirro.
- Segui seu conselho.
- Há! rsrsrs eu sabia que você ia acabar entendendo a importância AAAATCHIMMM... desculpa. – Conselho? Que conselho eu dei a ela?

Enquanto sentava no sofá, ela pediu licença para dar um telefonema. Era segredo, pois levou o aparelho para o quarto, no fim do corredor. Aproveitei para ver se alguma coisa na casa daria uma pista do seu nome. Verifiquei na estante. Havia fotos dela em Paris, na Espanha e em praias paradisíacas. Claro que os lugares perdiam longe, ela era a melhor paisagem do mundo. Percebi que a sorte estava do meu lado quando ví uma correspondência na mesa. Diana. Bingo! Era mesmo uma deusa. Então, ela voltou. Com um vinho e duas taças.

- Eu nem acredito que a gente tá de novo assim, tão junto! Há quanto tempo a gente não se fala?- bem, eu tenho 35 anos, pensei.
- Ah, sei lá, para mim o tempo é relativo, acho que nunca saí de perto de você – essa minha frase foi, modéstia à parte, perfeita.

Sei que passamos os próximos minutos tomando vinho e conversando sobre assuntos gerais: filmes, músicas, Barack Obama etc. Além de percorrer todas as curvas da loira com meu olhar científico-devasso e me deixar levar por aqueles par de seios que cismavam em se mover, cadenciadamente, no decote a minha frente, descobri muito a meu respeito. Por exemplo, eu, que odeio música clássica, percebi que era um fã incondicional de Tchaikovski e Brahms. Quase pus tudo a perder quando ela comentou sobre Bethoven – o músico- e eu disse que ele - o cachorro-ator daquele filme infantil da sessão da tarde - devia ter pulgas. Ela disse que eu estava mais alegre, espirituoso. Bem, tinha razão, afinal, eu aceitei numa boa saber que sempre odiei rock e possuía todos os discos de Barbara Streissand. Ou seja: eu não era nada daquilo que pensava. E daí? Aquela loura enigmática era tudo que me importava. Tentava descobrir algo sobre nós dois.


- E...a gente? Perguntei, assim, assim.
- O que é que tem? Perguntou de volta o avião, me fitando com aquele brilho nos olhos.
- Ah, você sabe... você sabe - joguei todas as fichas naquele blefe, e, se ela não sabia, quem iria saber?
- Olha, morar junto foi uma experiência enriquecedora. Aprendi muito com nosso, digamos, relacionamento.
- Então?- moramos juntos???? tinha que insistir, o que ela queria dizer com "digamos"?
No fundo você estava certo – levantou-se, sedutora, ainda que fingisse o contrário, e, ao chegar à janela, continuou - a gente tinha quase tudo para dar certo, né? você gosta de balé, de badminton... – fala sério, eu?! Balé é coisa de ‘frutinha’!!!-, de tons pastéis, de vinho, enfim, seria uma maravilha, mas não podemos nos enganar. Sempre faltaria alguma coisa.

- Eu sei, Diana, eu sei. Mas também mudei muito nesse meio tempo – descobri o meu lado ator- olha, não nos encontramos por acaso. O acaso não existe – tinha ouvido isso de um cliente da India.

-Nossa, você mudou mesmo. Odiava essas frases feitas.
- Pra você ver. Por isso, quando te vi, bem... (interlúdio) tive a certeza de que tudo poderia ser diferente – me aproximei e segurei seus braços.
- Não, não, não. Eu não poderia dividir meus desejos com vocês dois – que dois, pensei, do que ela estava falando? A coisa havia se complicado. Ela era casada? Claro, que imbecil, é óbvio que ela era casada.
- Mas, mas... eu quero só você! – pelo espelho podia notar minha expressão de amor perfeito. Tinha certeza de que em breve estaríamos na cama.
- Eu sabia que você ia voltar à mesma tecla. Você sempre volta. Mas dessa vez vai ser diferente eu...eu... já liguei.
- Ligou? E daí que você ligou? – pra quem será que ela ligou?

A campainha tocou naquele instante. O acaso não existe, mesmo. Bati o recorde de pensamentos por segundo. O marido? A minha mulher? mas, eu não sou casado, ou sou? E agora não dava pra voltar e dizer que ela havia me confundido com outra pessoa. Ela foi abrir a porta, e, antes de abrir, virou-se.

- Eu só não quero escândalo – de que tipo? Ai meu Deus!
- Eu me posicionei, fiz uma pose rebelde. Se fosse a minha "mulher", diria que não queria mais nada, que Diana era o único amor da minha vida. Mas, para minha surpresa, entrou um cara. Parecia alemão. Os dois metros e tanto eram preenchidos com uma mistura de estivador e lutador de vale-tudo. Ele afastou Diana e se dirigiu a mim.
- O QUE É QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – acho que o prédio todo ouviu.
- Nã...nãaa, nããão é nada disso que, que você está pensando – essa frase está no inconsciente coletivo masculino, e é incontrolável.
- EU VOU TE MATAR!- existem centenas de interpretações para essa frase. No entanto, ao ver aquele monstro vindo em minha direção, senti que o negócio era sério. Eu tentei correr pelo apartamento, mas ele me pegou em dois segundos e começou a me enforcar. Posso garantir que não é uma coisa agradável.
- Eu vou te matar Viana, te mataar!!!!!– esse era o meu nome? Viana?. Eu tinha que dizer alguma coisa.
- Calma, calma! eu não quero nada com a tua mulher, isso tudo é um engano!
- Minha...mulher???– acho que disse alguma palavra mágica. O cara me soltou e olhou espantado, Diana idem - Diana, esse aqui não é o Viana. Olha só, não tem a verruga no nariz. Caramba, desculpa, desculpa, fofo... mas, afinal, quem é você? – Salvo por uma verruga.
Foi difícil explicar que eu só queria me dar bem com aquela loira fabulosa, e mais difícil ainda saber que o tal Viana, que não era eu, era bissexual, casado com o alemão - que se chamava Rufo -, e também gostava de Diana, de quem era cabelereiro. Quando os dois me chamaram para uma esticada na noite eu recusei e me mandei pra casa.

Estava entrando em meu edifício quando reparei uma morena de parar o trânsito. Paramos juntos. Estávamos esperando o elevador. Ela olhou e sorriu. Não pensei duas vezes e falei:
- Tá olhando o quê? – resolvi subir pela escada. Nunca se sabe, nunca se sabe.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

WE ALL STAND TOGHETER... porque ninguém tem amigos tão marcantes quanto os que encontramos na adolescência

Os anos passam, as melhores amizades não. Por isso, mais uma vez a galera do vôlei de 1982 resolveu se reunir. Na verdade, Marcelo, uma espécie de espírito dos verões passados, resolveu chamar todo mundo. Uma lenda diz que se essa reunião não acontecer de tempos em tempos, Marcelo desaparecerá do inconsciente coletivo e os anos de SUDERJ não serão lembrados por ninguém.
O local escolhido foi o bar CAÇADOR, na Tijuca. O ex-levantador Jorge olhou o bar, meio cabreiro, não acreditava que o pessoal apareceria. Logo percebeu um velho, cabelos grisalhos e olhos vagamente azuis, o observando. Depois o velho sorriu. Jorge já estava pensando em perguntar o que aquela figura estava olhando. Aí, percebeu que se tratava de Edmundo. Sim, uma das peças-chave do time campeão de 1982/83. Pouco sobrou do galã que arrasava corações. Agora Ed parecia uma espécie de Miguel Falabella descontextualizado.
Aos poucos as figuras foram surgindo da aurora dos tempos. Marcos, outro levantador célebre, chegou alegre e rotundo. Tornou-se um professor semi-obeso e manteve o tom crítico e simpático de outrora; Marcelo, o espírito que anda, chegou alegre e emocionado, claro; Édio, que nos anos de SUDERJ fazia caminhadas ecológicas para ‘enturmar’ as novas meninas da turma, veio com a esposa, que não sabia de seu passado e por isso ainda o ama muito; Tarciso, que pesava 27 quilos no vôlei, mudou muito e agora tem 127. De fato, virou um clone pesado de Zeca Pagodinho. O humor continou intacto; Acácio (cujo nome de batismo é Marcos) chegou cheio de gás e energéticos. Alguem perguntou se ele havia parado de tomar bomba, e ele respondeu: "Parei sim. Tem uns 5 minutos!". Acácio era o brincalhão de sempre, por isso mesmo se tornou uma caricatura, abandonanado de vez a forma humana. Ah, e pra não dizer que não falei das mulheres. Beth representou as meninas. Ela continua usando receitas de formol e botox e pouco muda.
Pra provar que nada mudou, Marcelo lembrou a vez em que Acacio e Edmundo nadaram pelados na piscina do Julio Delamare (esse episódio é um ritual e deve ser lembrado em todos os encontros). Depois de tanto tempo, como os fatos não mudam, as pessoas tentam lembrá-los de outra forma. Assim, continuam engraçados.
Entretanto, algo começa a preocupar. Marcelo trouxe fotos antigas, só que a maioria não conseguiu enxergá-las sem óculos, e pior... Edmundo está com Alzhaimer. Ele olhava as pessoas e não reconhecia ninguém. Não reconheceu nem ele mesmo "Ih... esse cara aqui parece alguem que eu conheço... estranho!" tsc tsc, Triste isso. Édio revelou que tentou vários implantes, mas a calvície ganhou a parada, e como seus cabelos agora só crecem para os lados ele pensa em imitar o BOZO, um velho personagem infantil, e animar festas. O papo, que antes era sobre partidas empolgantes, garotas sensacionais virou outra coisa. Agora, cada um conta que remédio está tomando; falam dos filhos (que já são mais velhos do que os pais no tempo de SUDERJ) etc.
Um momento perfeito foi o brinde ao eterno Vitor, que está jogando numa quadra lá na cobertura.
Mas, nem tudo está perdido, pois o brilho no olhar continua o mesmo em cada um deles. Marcelo, através de controle mental, fez com que todos se sentissem felizes, ainda que não soubessem ao certo o que faziam ali.
Lá pelas tantas, surgiram as inevitáveis idéias para um encontro maior na casa de alguém. Sugestões ébrias para cá e para lá, a mais interessante parecia ser a de Marcelo, que convidou todos para sua casa em Angra.
Enquanto tratavam da lista de apetrechos necessários, Marcelo foi explicando como era a casa. Não era grande, nem luxuosa. Na verdade, era simples, e bem apertada. Não ficava de frente para a praia. Mas ficava a apenas uma hora de lá. Não era no centro de Angra, e quem precisava de tumulto? O fato de não ter luz chegava a ser romântico. Não tinha água quente. Aliás, nem água tinha. Mas havia um poço. Os ânimos só arrefeceram quando Marcelo falou que o lugar era bem calmo, a não ser por uma onça, que de vez em quando rondava a casa. Bem, Angra ficaria para uma outra ocasião.
De certo, fica a sensação de que existe um ‘que’ de eternidade envolvendo essas pessoas especiais, os grandes amigos que tiveram a sorte (ou seria Destino) de se encontrarem em um lugar e tempo especiais. Mudaram as estações e nada mudou.
Quem disse que o ‘pra sempre’ sempre acaba?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

40



Beatles, Lua e Internet. Em comum, chegam à casa dos 40 anos. No distante, e cada vez mais emblemático, ano de 1969 coisas aconteciam com alguma explicação. Na época, o mundo ainda era grande pra caramba, muita coisa que aocntecia no primeiro mundo demorava meses para aportar aqui.
Enquanto um sonho acabava, outros entravam em cena, e nada do que foi seria de novo do jeito que já foi um dia. Em Abbey Road, 4 caras atravessavam uma rua em direção à memória, à eternidade. Era a última caminhada de um grupo que foi o centro das atenções naqueles idolatrados anos 60, que começaram com jaquetas de couro, calças apertadas, botas e muito gel nos cabelos e terminavam com a utopia hippie de paz e amor, baseada em natureza, drogas e sexo. Depois de sacudir o mundo com suas músicas simples e muita ironia, os Beatles buscavam novos espaços. Apesar do talento, separados eles foram apenas John, Paul, George e Ringo.
De cabo Canaveral partia a Apollo 11. O homem chegava à lua (?!). Se foram, ao pisar em solo lunar, Neil Armstrong deu um gigantesco passo na aventura humana. Ao mesmo tempo, percebeu toda a insignificância de nosso planeta em relação ao universo. Os papas da Idade Média optariam pelo suicídio naquele instante. Por aqui, milhões acompanhavam cada detalhe: as sombras difusas, apesar de haver apenas uma fonte de luz – o sol; a bandeira americana tremulando, apesar de não haver como uma bandeira tremular naquele lugar; a pegada do astronauta, apesar da falta de gravidade, que tornaria a tal pegada algo bem difícil. E na época ninguem perguntou quem segurava a câmera que filmou Armstrong pisando na lua. Se ele foi o primeiro humano a pisar na lua, o câmera era um alienígena... mistério.
Também na casa dos quarenta está a internet. Sim, ela que permite que você leia esse blog, que possibilita encurtar o mundo todo e se comunicar com quem quisermos na hora que bem entendermos. A internet, um brinquedinho de guerra que se tornou a melhor extensão de nossas pretensões. Com seu jeito intimidador e ao mesmo tempo hipnotizante, ela tem o melhor e o pior do ser humano no mesmo lugar. Na internet se ama, marcam-se encontros e massacres, cria-se mundos e discute-se absolutamente tudo, sem chegar a alguam conclusão satisfatória.
Se o mundo parecia veloz, agora entrou na velocidade do pensamento. E o mais interessante é que a evolução tecnológica é tão avassaladora que é capaz de modificar o mundo de uma maneira indelével, ainda que muitos finjam não ver.
Na internet, com seus recursos infinitos, todas as tribos são iguais (tá, são parecidas... ok, se toleram), desde que saibam como navegar. E olha que o poeta certamente nunca imaginou um giga sequer ao dizer que: Navegar é preciso, viver não é preciso.
De certa forma, 1969 foi o primeiro ano do resto de nossas vidas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

De Todas as Maneiras

O mundo é tão grande, tão cheio de tudo e de todas as coisas. Coisas Pequenas, galáxias distantes que cabem na palma da mão ou no fundo do olhar de um alguém. Coisas grandes, como um sonho que escapa, que se vai e jamais fica longe.
Tão intrigante e belo, tão cheio de contradições, esse mundo de meu Deus, de seu Deus e do Deus de todo mundo (até de quem não O tem). E quando tudo acaba, nada se perde, tudo se transforma, tudo se cria, e nunca é da forma que se pensa, que se espera... mas É.
O passado se parece, dessa vez, menos com o que foi e a cada dia fica mais perto do que só existe dentro de nós. Ainda assim, parece de todo perfeito e talvez seja preciso, pois o futuro vem e vai em ondas que não percebemos até que seja tarde demais, e já foi, e está aqui, e vem, de novo.
Ninguém é mais o mesmo, nunca foi, nem por um segundo, que pelo mundo desfaz dias, mitos, ritos. Gotas de chuva inundam o rio que transforma todo querer. E o que era eu, não mais está aqui, é como uma certeza que não faz mais sentido, que aproveitou sua chance e tempo, que tinha o que fazer e agora nem tem como ser. Quem inventou o amor?
Todos olham a mesma coisa e ela é diferente, ouvem a mesma canção e viajam por tempos e lugares que de tão particulares, de tão indivizíveis, são perceptíveis àqueles que se permitem apenas por não perceberem que toda eternidade está guardada em um segundo.
E dizer ‘te amo’ é tão simples quanto é difícil amar. Que meu amor, então, seja algo simples, mas que seja perfeito, que faça sombra, guarde segredos, universos, e não morra nem se perca em outra pessoa, senão, meu já não é, mas de todo mundo. E ser igual é o que todo diferente é.
Quem inventou essa noite fria, de vento forte, de raios que iluminam mares e céus profundos? Quem inventou essa tarde de brisa leve, que parece dizer ‘tá tudo bem’? Quem inventou essa manhã de céu azul, cheia de cores e grandes esperanças, a cantar ‘o mundo começa agora...’?
Sou eu, sou você, sou todo mundo.