quarta-feira, 30 de setembro de 2009

DEUS É O DESTINO


Estava reparando o nosso cotidiano, as ‘estranhas coincidencias’ que existem na vida de cada um de nós... Isso pode ser um ponto de partida para um debate contra o livre-arbítrio. Pensemos: você realmente planejou ficar com a pessoa que está do seu lado? Lembra de como achou esquisito o fato de estar naquele local, naquele exato momento, e que se assim não fosse, vocês nem teriam se olhado? Sim, e da mesma forma você pode ter percebido ‘de repente’ um sentimento por alguem que sempre esteve perto de você e jamais te chamou a atenção... até aquele momento. Isso sem falar em por que você não embarcou naquele avião que caiu, ou aceitou o convite para uma festa onde conheceu pessoas que mudaram seu destino profissional.
Se existisse o livre-arbítrio, só faria sentido se todos tivessem as mesmas chances. Se todos nascessem com as mesmas oportunidades. E quem conhece o continente africano, por exemplo, sabe que não é bem assim.
O que explica o sucesso de uns e o fracasso de outros? A determinação? Hummm... bem, você conhece pessoas determinadas que não vão a lugar algum, certo? Barrichello é determinado! E outras que não estão nem aí para o mundo ao redor e são extremamente bem-sucedidas, certo? Pois é.
Depois de ler bastante e de observar mais ainda, estou cada vez mais convicto de que existe apenas o que podemos chamar de destino. Entendo Deus como O CRIADOR. Ele é o autor desse filme que chamamos vida. E nós somos personagens.... apenas isso. E já é muito. Fomos escolhidos para estar aqui por Ele, só isso já vale.
Ah, vão dizer, então Deus é um injusto, pois faz personagens tristes, com doenças incuráveis, que nascem e morrem em condições miseráveis. E de outro lado, escreve roteiros de felicidade e sucesso para uns poucos. Que justiça há nisso? Ora, essa indagação não se sustenta, pois seria o mesmo que o personagem de Leonardo Di Caprio no filme Titanic questionasse sua morte. O problema com essa suposta justiça é que ela é baseada em conceitos humanos. Deus, não é humano.
Assim, do meu ponto de vista, tudo é perfeitamente explicável e terrivelmente simples. Tudo, todas as nossas emoções e questionamentos, estão no script. Em que familia vamos nascer, de quem vamos gostar, do que vamos gostar. Nosso time do coração, nossa aversão por futebol, nossas certezas e dúvidas. Você olha uma pessoa e diz: ‘não sei por que, mas não fui com a cara desse sujeito’... o Autor tem muito senso de humor.
Vão retrucar: ah, tá, então vou ficar sentado aqui, já que não passo de um personagem! Sim, vai sim, se estiver escrito para você. E se você rir de tudo e seguir seu rumo, ganhar na mega-sena acumulada etc... também isso está escrito.
Provas? Sua vida. Olhe para trás nesse exato instante e reveja grandes momentos, alegres e tristes, lembre-se de como aconteceram. Lembre-se das suas escolhas. Não, não foi mero acaso. Seja você um rico e bem sucedido empresário ou um alguem que perdeu tudo e está sozinho na frente do computador.
Aí, voce pode se questionar, por que não foi escolhido para ser um jogador multimilionário... por que voce, que gosta de escrever, não está na ABL como o Paulo Coelho, que, a rigor, nem escreve bem? A resposta é: por que o Criador fez outro personagem para voce. E tem mais, seja um sucesso ou um fracasso, goste ou não do que tem, você é protagonista.
Deus fez um livro bem especial, onde só tem protagonistas. Uma idéia absolutamente genial, que só podia vir Dele. Aliás, uma idéia tão genial me faz pensar que Ele pode ser uma criança... hummm essa pista tem até na Bíblia, que é um livro interessante.
Mas... se é mesmo assim, você está intrigado, nós não saberíamos disso e não estariamos aqui discutindo a possibilidade. Por que, não? Ele também é irônico.
O Criador fez inumeras religiôes, mas cuidou de deixar claro que o caminho é um só... outra pegadinha. Assim, seja espírita ou adepto de outras linhas que explicam a vida à luz das reencarnações, ou seja um fiel seguidor de outra, que imagina um mundo divino após esse, ou ainda, um muçulmano que tem a certeza de que vai morrer e encontrar 72 virgens esperando por ele, bem... você foi criado para pensar assim. Busca uma verdade, ou duas, ou três, no fundo só para passar o tempo que dura SUA história.

Às vezes, os personagens também enchem linguiça, para depois cair num climax sensacional. Claro, o autor tem que amarrar a trama, e com 7 bilhoes de astros é difícil. Quer dizer, difícil, não, trabalhoso. Por isso, às vezes você tem a percepção de que o tempo passa rápido, e ás vezes, de que tudo está parado demais. Talento... o Criador é Puro Talento. Pois o tempo é sempre o mesmo, a percepção do personagem é que muda.
E o que tem depois que a história acaba?


Rsrsrs quem disse que acaba?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

EI, LEMBRA DE MIM?




Caminhava pela Visconde de Pirajá, na bela e ensolarada Ipanema. Depois de um dia de serviço na agência o que eu mais queria era sossego.
Andando em minha direção vinha uma deusa, cerca 1,80m, olhos azuis, e loira, mas loira mesmo, daquelas que, quando o sol ilumina o rosto você tem certeza de que Afrodite deixou descendentes para mostrar aos pobres mortais o real sentido da beleza. E olha que em Ipanema o que não falta é ninfa, fada e sereia. Mas, aquilo tudo que vinha em minha direção estava além das classificações.
Ela provavelmente não me daria bola, mas olhei assim mesmo, que mal poderia haver? Para minha surpresa, ela não só olhou de volta como abriu o sorriso mais delicioso e convidativo do mundo. Sabe essas horas em que você quer muito que algo aconteça, e quando acontece você não sabe como se portar? Pois é!

- Oooooooi!- disse ela, com uma euforia ímpar.
- Oi - disse eu, gaguejando.
- Não acredito que te encontrei, queria tanto te ver novo! - era a primeira vez que uma escultura me abraçava.
- Ah, puxa, é mesmo, quanto tempo, hein?- eu não podia dizer que não a conhecia, seria um dos daqueles erros imbecis que te acompanham a vida inteira.
E a galera?
- A galera... Ahh, a galera há há há... a galera? Sabia que você ia perguntar. Tá legal! aquela galera tá sempre legal - não ia me entregar fácil. Se eu fazia parte da galera, bem, então eu fazia. - Eu amava a galera.
- Eu tenho saudades da nossa "txurminha", do Fred, da Val, e da Beth, então...
- Puxa, que coincidência, a Beth perguntou por você – era um gancho para manter a conversa. Ora, é claro que a Beth poderia ter perguntado por ela. Quem sabe a Beth não era a melhor amiga?
- Perguntou?
- Há há há, claro. Mandou um beijão.
- Ué, mas ela não morreu?
- Hã?! Ah, é, é... mas foi antes - tem que ter jogo de cintura nessas horas.
- Eu moro aqui agora, nesse prédio, vamos até o meu apartamento? A gente toma um drink. Puxa, estou tão feliz em te ver, tão feliz – se ela estava feliz, o que eu podia dizer???
Claro! Quer dizer, por mim tudo bem.

Eu não sabia seu nome, no entanto, já fazia parte da galera, e era amigo, ou, quem sabe, algo mais caliente, daquele monumento. Morava no 21º andar. Um apartamento grande, bem decorado, com samambaias dispersas pela sala. Eu odeio planta em apartamento, acho que não tem nada a ver...


- Gosta das minha plantinhas?
- Demais essas samambaias! – repensei meus conceitos e segurei o espirro.
- Segui seu conselho.
- Há! rsrsrs eu sabia que você ia acabar entendendo a importância AAAATCHIMMM... desculpa. – Conselho? Que conselho eu dei a ela?

Enquanto sentava no sofá, ela pediu licença para dar um telefonema. Era segredo, pois levou o aparelho para o quarto, no fim do corredor. Aproveitei para ver se alguma coisa na casa daria uma pista do seu nome. Verifiquei na estante. Havia fotos dela em Paris, na Espanha e em praias paradisíacas. Claro que os lugares perdiam longe, ela era a melhor paisagem do mundo. Percebi que a sorte estava do meu lado quando ví uma correspondência na mesa. Diana. Bingo! Era mesmo uma deusa. Então, ela voltou. Com um vinho e duas taças.

- Eu nem acredito que a gente tá de novo assim, tão junto! Há quanto tempo a gente não se fala?- bem, eu tenho 35 anos, pensei.
- Ah, sei lá, para mim o tempo é relativo, acho que nunca saí de perto de você – essa minha frase foi, modéstia à parte, perfeita.

Sei que passamos os próximos minutos tomando vinho e conversando sobre assuntos gerais: filmes, músicas, Barack Obama etc. Além de percorrer todas as curvas da loira com meu olhar científico-devasso e me deixar levar por aqueles par de seios que cismavam em se mover, cadenciadamente, no decote a minha frente, descobri muito a meu respeito. Por exemplo, eu, que odeio música clássica, percebi que era um fã incondicional de Tchaikovski e Brahms. Quase pus tudo a perder quando ela comentou sobre Bethoven – o músico- e eu disse que ele - o cachorro-ator daquele filme infantil da sessão da tarde - devia ter pulgas. Ela disse que eu estava mais alegre, espirituoso. Bem, tinha razão, afinal, eu aceitei numa boa saber que sempre odiei rock e possuía todos os discos de Barbara Streissand. Ou seja: eu não era nada daquilo que pensava. E daí? Aquela loura enigmática era tudo que me importava. Tentava descobrir algo sobre nós dois.


- E...a gente? Perguntei, assim, assim.
- O que é que tem? Perguntou de volta o avião, me fitando com aquele brilho nos olhos.
- Ah, você sabe... você sabe - joguei todas as fichas naquele blefe, e, se ela não sabia, quem iria saber?
- Olha, morar junto foi uma experiência enriquecedora. Aprendi muito com nosso, digamos, relacionamento.
- Então?- moramos juntos???? tinha que insistir, o que ela queria dizer com "digamos"?
No fundo você estava certo – levantou-se, sedutora, ainda que fingisse o contrário, e, ao chegar à janela, continuou - a gente tinha quase tudo para dar certo, né? você gosta de balé, de badminton... – fala sério, eu?! Balé é coisa de ‘frutinha’!!!-, de tons pastéis, de vinho, enfim, seria uma maravilha, mas não podemos nos enganar. Sempre faltaria alguma coisa.

- Eu sei, Diana, eu sei. Mas também mudei muito nesse meio tempo – descobri o meu lado ator- olha, não nos encontramos por acaso. O acaso não existe – tinha ouvido isso de um cliente da India.

-Nossa, você mudou mesmo. Odiava essas frases feitas.
- Pra você ver. Por isso, quando te vi, bem... (interlúdio) tive a certeza de que tudo poderia ser diferente – me aproximei e segurei seus braços.
- Não, não, não. Eu não poderia dividir meus desejos com vocês dois – que dois, pensei, do que ela estava falando? A coisa havia se complicado. Ela era casada? Claro, que imbecil, é óbvio que ela era casada.
- Mas, mas... eu quero só você! – pelo espelho podia notar minha expressão de amor perfeito. Tinha certeza de que em breve estaríamos na cama.
- Eu sabia que você ia voltar à mesma tecla. Você sempre volta. Mas dessa vez vai ser diferente eu...eu... já liguei.
- Ligou? E daí que você ligou? – pra quem será que ela ligou?

A campainha tocou naquele instante. O acaso não existe, mesmo. Bati o recorde de pensamentos por segundo. O marido? A minha mulher? mas, eu não sou casado, ou sou? E agora não dava pra voltar e dizer que ela havia me confundido com outra pessoa. Ela foi abrir a porta, e, antes de abrir, virou-se.

- Eu só não quero escândalo – de que tipo? Ai meu Deus!
- Eu me posicionei, fiz uma pose rebelde. Se fosse a minha "mulher", diria que não queria mais nada, que Diana era o único amor da minha vida. Mas, para minha surpresa, entrou um cara. Parecia alemão. Os dois metros e tanto eram preenchidos com uma mistura de estivador e lutador de vale-tudo. Ele afastou Diana e se dirigiu a mim.
- O QUE É QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – acho que o prédio todo ouviu.
- Nã...nãaa, nããão é nada disso que, que você está pensando – essa frase está no inconsciente coletivo masculino, e é incontrolável.
- EU VOU TE MATAR!- existem centenas de interpretações para essa frase. No entanto, ao ver aquele monstro vindo em minha direção, senti que o negócio era sério. Eu tentei correr pelo apartamento, mas ele me pegou em dois segundos e começou a me enforcar. Posso garantir que não é uma coisa agradável.
- Eu vou te matar Viana, te mataar!!!!!– esse era o meu nome? Viana?. Eu tinha que dizer alguma coisa.
- Calma, calma! eu não quero nada com a tua mulher, isso tudo é um engano!
- Minha...mulher???– acho que disse alguma palavra mágica. O cara me soltou e olhou espantado, Diana idem - Diana, esse aqui não é o Viana. Olha só, não tem a verruga no nariz. Caramba, desculpa, desculpa, fofo... mas, afinal, quem é você? – Salvo por uma verruga.
Foi difícil explicar que eu só queria me dar bem com aquela loira fabulosa, e mais difícil ainda saber que o tal Viana, que não era eu, era bissexual, casado com o alemão - que se chamava Rufo -, e também gostava de Diana, de quem era cabelereiro. Quando os dois me chamaram para uma esticada na noite eu recusei e me mandei pra casa.

Estava entrando em meu edifício quando reparei uma morena de parar o trânsito. Paramos juntos. Estávamos esperando o elevador. Ela olhou e sorriu. Não pensei duas vezes e falei:
- Tá olhando o quê? – resolvi subir pela escada. Nunca se sabe, nunca se sabe.